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Mil Nadas

Os meus sentimentos são compostos de mil nadas. E não existe um comprimido, nem uma palavra que possa amenizar isso. Portanto, antes que você comece a julgar-me por aquilo que não sente, respeite-me, se o meu céu não é tão estrelado quanto o seu. Respeite-me, se minha vida não é tão perfeita quanto a sua. Respeite-me, se o meu hoje está pintado com outra cor. Respeite-me, se eu não consigo ver beleza no mundo ao meu redor. Os meus sentimentos são compostos de mil nadas. E não existe uma resposta certa para isso. Compreenda, se eu não consigo enxergar o mesmo horizonte. Compreenda, se eu não tiver uma aura tão brilhante quanto a sua. Compreenda, se às vezes tudo o que quero é dormir e nunca mais acordar. Compreenda, se sou apenas alguém tentando encontrar um modo próprio de sobreviver. Compreenda, se o que me deixa feliz é estar sozinha com minha multidão interna. Os meus sentimentos são compostos de mil nadas. E não existe nada que possa mudar isso. Deixe-me, caminhar...

Para Alguém.

20 de setembro de 2016 Se houvesse apenas um caminho Dentre vários outros que se apagam, Quando você olha para trás e observa as marcas de seus pés na areia, Quando você olha no espelho e não enxerga o próprio rosto, Lembrando das memórias que já não estão ali. Lembranças que já não fazem parte da sua nova história. E o vento corta seu rosto, Bagunça seu cabelo enquanto caminha, Contorna seu corpo e corre em direções opostas. É o mesmo vento que levanta sua blusa quando anda de bicicleta. É o mesmo vento que sopra na janela do quarto de alguém Que tenta decifrar minha mente e tudo que faz parte dela. Alguém que deita ao meu lado e me trata como uma doce criança. Alguém que me beija e me toca com a serenidade de um anjo. Alguém que quer saber o que vejo, e entender o que sou E por que sofro tanto com essa tempestade que cai sobre minha cabeça. E às vezes, sinto que começo a me sentir em paz… Que com esse alguém posso expandir para novos horizontes. Esse alguém ten...

Meu nobre desbravador.

19 de Maio de 2016 Meu nobre desbravador, Queria te dizer que sinto muito, por tudo. Mas você não faz ideia da minha dor, e não entenderia que algo se perdeu dentro de mim quando tentei me reencontrar, depois daquele novembro. E o meu mundo não é como pensei que fosse, sabe? Minha vida se transformou rápido demais, E não deu tempo de acompanhar meu reflexo naquela vidraça. Naquele novembro, tudo foi queimado pelo brilho de mil sóis. E tudo que sobrou se quebrou em milhares de pedaços. Tanto minha alma quanto meus sentimentos se esfarelaram juntos. E não seria justo ser sua pela metade. Então, senhor desbravador, domador de cometas, alma indomável… Não me diga que me conhece por inteira. Não queira enxergar o meu horizonte. Nem tente decodificar minha alma. Não queira saltar de um penhasco sem olhar para baixo, Pois será engolido por minha areia movediça de dor. Não tente atravessar o muro de vidro que cerca meu coração, Pois ele está fechado para visitação neste m...

Vidraça.

A cidade obscurece, e jazigo aqui. Trago minha cigarrilha em mãos e contemplo a doce névoa do céu, nesta soturna madrugada à minha vidraça. Estrelas brilhantes fazem parte de um passado inexistente, e sussurram-me palavras de adeus. Imagino e reflito sobre a vida. Percebo como somos jovens, intensos, presos no tédio autodestrutivo — púberes que tentam se encontrar de alguma forma, em algum lugar. Somos invisíveis, incompreendidos; acoplados neste imenso espaço existencial. E, muitas vezes, procuramos outra maneira de viver, de lidar com a dor, de responder certas perguntas que nos acompanham até o nascer do sol. Somos jovens que querem sentir-se vivos, a qualquer custo. Queremos saber o real motivo do porquê — e como ainda estamos aqui. Somos jovens que despertam com o amor. Porém, descobrimos da pior maneira que tudo que somos e vivemos é apenas um sonho vivido só. Um vazio sem designação. É desconcertante este sentimento de inexistência. Esse reflexo de solidão. Mas...