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Meu nobre desbravador.

19 de Maio de 2016 Meu nobre desbravador, Queria te dizer que sinto muito, por tudo. Mas você não faz ideia da minha dor, e não entenderia que algo se perdeu dentro de mim quando tentei me reencontrar, depois daquele novembro. E o meu mundo não é como pensei que fosse, sabe? Minha vida se transformou rápido demais, E não deu tempo de acompanhar meu reflexo naquela vidraça. Naquele novembro, tudo foi queimado pelo brilho de mil sóis. E tudo que sobrou se quebrou em milhares de pedaços. Tanto minha alma quanto meus sentimentos se esfarelaram juntos. E não seria justo ser sua pela metade. Então, senhor desbravador, domador de cometas, alma indomável… Não me diga que me conhece por inteira. Não queira enxergar o meu horizonte. Nem tente decodificar minha alma. Não queira saltar de um penhasco sem olhar para baixo, Pois será engolido por minha areia movediça de dor. Não tente atravessar o muro de vidro que cerca meu coração, Pois ele está fechado para visitação neste m...

Vidraça.

A cidade obscurece, e jazigo aqui. Trago minha cigarrilha em mãos e contemplo a doce névoa do céu, nesta soturna madrugada à minha vidraça. Estrelas brilhantes fazem parte de um passado inexistente, e sussurram-me palavras de adeus. Imagino e reflito sobre a vida. Percebo como somos jovens, intensos, presos no tédio autodestrutivo — púberes que tentam se encontrar de alguma forma, em algum lugar. Somos invisíveis, incompreendidos; acoplados neste imenso espaço existencial. E, muitas vezes, procuramos outra maneira de viver, de lidar com a dor, de responder certas perguntas que nos acompanham até o nascer do sol. Somos jovens que querem sentir-se vivos, a qualquer custo. Queremos saber o real motivo do porquê — e como ainda estamos aqui. Somos jovens que despertam com o amor. Porém, descobrimos da pior maneira que tudo que somos e vivemos é apenas um sonho vivido só. Um vazio sem designação. É desconcertante este sentimento de inexistência. Esse reflexo de solidão. Mas...

Oceanos

2 de Fevereiro de 2015 Existe um oceano nos separando. Separando tudo de bom que foi construído nos últimos anos, Aniquilando as coisas que nos pertenceram enquanto éramos um do outro. Existe um oceano à nossa frente, Que afoga fragmentos bons e lembranças de uma mera ilusão. Todos os sentimentos foram segregados e lançados ao mar. Neste momento, não vejo a linha do horizonte, Nem o que nos unia anteriormente. O brilho do sol foi o último caminho que restou, E o silêncio, a única resposta para a farsa que você criou. E mesmo que as coisas que queremos agora sejam diferentes, De qualquer forma, prosseguiremos para o mesmo lugar. Afinal, somos pessoas complexas e compostas pela mesma dor, E nossas almas se tornaram vidros quebrados. Por isso, raramente outras pessoas conseguem nos compreender. E não há mais nada que você possa fazer ou dizer para mudar isso. Existe um profundo e imenso oceano nos separando. Não sei ao certo se será para sempre. Não sei ao certo ...

Quem sou eu além daquele que fui?

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Quem sou eu além daquele que fui? Perdido entre florestas e sombras de ilusão Guiado por pequenos passos invisíveis de amor Jogado aos chutes pelo ódio do opressor Salvo pelas mãos delicadas de anjos Reerguido, mais forte, redimido, Anjos salvei Por justiça lutei E o amor novamente busquei Quem sou além daquele que quero ser? Puro, sábio e de espírito em paz Justo, mesmo que por um instante, Forte, mesmo sem músculos, E corajoso o suficiente para dizer “tenho medo” Mas quem sou eu além daquele que aqui está? Sou vários, menos este. O que aqui estava, jamais está E jamais estará Sou eu o que fui e cada vez mais o que quero ser Mudo, caio, ergo, sumo, apareço, bato, apanho, odeio, amo… Mas no momento seguinte será diferente Posso estar no caminho da perfeição Cheio de imperfeições Sou o que você vê… Ou o que quero mostrar. Mas se olhar por mais de um segundo, Verá vários “eus”, Eu o que fui, eu o que sou e eu o que serei. Christian Gurtner

Talvez algum homem, uma coisa qualquer, um dia a destruísse para sempre.

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“Tinha um pouco de cerveja na geladeira e ficamos lá sentados, conversando. E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traía sem se dar conta. Ao mesmo tempo que se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma jóia, linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer, um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu.” (Crônica de um amor louco_Bukowski) É engraçado… a vida, os sonhos, as coisas que construímos em nossa mente ao longo do tempo. Os personagens que criamos, muitas vezes, só para não nos sentirmos completamente solitários nesse mar profundo e sem fim. É assim que surge a paixão — ou o que chamamos de amor. Sempre a mesma história: a mocinha conhece o rapaz em um dia X, sob circunstâncias que só os céus, ou o destino, poderiam escrever nas estrelas, ou nas entrelinhas do tempo. Eles se apaixonam desesperadamente, pelos defeitos, qualidades e particulari...