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Mundos

Cada pessoa é um mundo. Um mundo de doces mentiras encantadoras, um mundo de mortalmente feridos, um mundo de impossíveis, um mundo de angústia, desilusões, alegrias e felicidade. Um mundo de encontros, desencontros e excentricidades, um mundo de dor, confrontos e solidão, um mundo de fábulas, ilusões e coração. Cada pessoa é um mundo, que pode ser de guerras, lutas e sorrisos, um mundo maior e multicolorido, um vasto mundo verde e celeste de paciência, um pequeno mundo de sonhos e dilemas. Cada pessoa é um mundo dentro de outro mundo que está prestes a se colidir. Um mundo de vários, ou algo permitido para alguns, um mundo inventado para se autodestruir. Um mundo de farsa e encenação, e vários mundos que giram em torno de um único sol, que foi desenhado para todos, mas que se equilibra em linha tênue para um só. E, então, você se dará conta de que… Cada corrente que se quebra, cada história que se acaba, cada sonho que se realiza, cada minuto que se vive, ...

Algum dia…

Algum dia, alguém irá falar das risadas que dei, dos sonhos que realizei, dos tombos que caí, das viagens que fiz, das pessoas que amei, das maldades que cometi, da bondade que demonstrei, das loucuras que senti. Mas que seja conhecido: ninguém lembrará o motivo das minhas risadas, nem o tamanho dos meus sonhos, nem como me arranhei fatalmente e, ainda assim, sobrevivi, nem das diversões que me faziam viver, nem das maldades que foram aniquiladas. Sim, eu me machuquei no amor, mas minha loucura me manteve viva para continuar, mesmo que o vinho acabe, que o cigarro apague, que o barco afunde. Que seja conhecido: o tamanho da minha vontade de ser contraditória foi o gás que impulsionou minha existência. E agora, não estou afim de ser somente um peixe num cardume que nada para um oceano de erros superficiais. E, quem sabe, o mar certo só esteja em minha cabeça. Que seja conhecido: que o irreal, as loucuras e a insanidade que habitam em meu coração, são ambi...

VOE.

Imagem
Tente. Sei lá, tem sempre um pôr-do-sol esperando para ser visto, uma árvore, um pássaro, um rio, uma nuvem. Pelo menos sorria, procure sentir amor. Imagine. Invente. Sonhe. Voe. _CAIO FERNANDO ABREU

FILME: O ABUTRE

O Abutre (2014), roteirizado e dirigido por Dan Gilroy, é o tipo de filme que, ao terminar, deixa o espectador em choque, sentado por alguns minutos, refletindo sobre duas coisas: que tipo de laboratório Jake Gyllenhaal criou para dar vida ao protagonista sociopata Louis Bloom, e como o jornalismo moderno se transformou em um mercado de notícias capitalistas, numa sociedade que se alimenta de tragédias. No enredo do filme, o jovem e antissocial Louis Bloom realizava pequenos furtos, até que, numa noite, voltando para casa, presencia um acidente automobilístico e encontra uma equipe filmando o ocorrido. Nesse momento, ele enxerga uma oportunidade de conseguir um emprego informal: filmar tragédias sangrentas da violência urbana em Los Angeles. Ele passa, então, a vender essas imagens para um telejornal local e estabelece uma relação com a diretora de notícias, que, ao longo do filme, torna-se uma aliada em seus planos profissionais. Louis Bloom entra em cena com aqueles grandes olhos...

Certeza.

 A morte é a única certeza que temos. E muitos, em silêncio, se projetam para uma dimensão longínqua dela, pois acreditam que um dia podem vencê-la. Outra pequena porcentagem de nós, não quer vencê-la ou projetá-la para longe. Queremos apenas ter a chance de beijá-la com seu frio torpor, e abraçá-la para sempre, para assim encontrar a paz que falta em nosso interior fragmentado. Eis a diferença: a morte e a vida brigando para se ter o que se deseja, e aquilo que se deseja, em tempos como os nossos, requer coragem e disposição para ser feito. E a morte ainda continua sendo a única certeza que temos. E viver não é mais como era antigamente. (…)

Neblina.

Após a escuridão de uma noite e a travessia de um dia, o seu desejo maior era recomeçar. Sentar no topo de uma montanha e contemplar o nascer do sol, carregar seus pensamentos e reiniciar seu sistema interno. Aquela tempestade de antes, que havia lhe zerado, se transformou, e ela queria ir. Percorrer agora rumo ao novo, ao inesperado. Suas verdades, sentimentos e sonhos haviam mudado, e se tornado maiores e mais brilhantes. As paredes que lhe rodeavam foram destruídas. O vento que lhe impulsionava era fresco e novo, assim como seu interior. O cheiro de terra molhada invadiu o lugar. E não se sabia ao certo aonde aquilo iria lhe levar, mas ela já não tinha medo, sabia que era tudo necessário. Que, para conquistar o que se desejava de verdade, era preciso perder-se para se reencontrar. Era preciso morrer mais uma vez para renascer. Era preciso reagir ao desafio de continuar para que sua vida valesse a pena. Era preciso renovar a fé em algo maior do que nossas forças, ...

Busca.

Nós, seres humanos, perdemos a vida buscando coisas que já encontramos. Perdemos mesmo quando tentamos caminhar em linha reta pela areia, observando o mar, num fim de tarde, tentando assimilar nossa existência e entender como chegamos até ali. Será que, assim como eu, outros também tentam encontrar o que lhes corrói? Ou sou apenas eu, querendo acreditar que esse vazio que invade minha alma é algo que não se assemelha a ninguém? Antes disso tudo, pensava que você era a parte que me mantinha forte. Mas, hoje em dia, aprendi a ser forte sozinha. Conformei-me com sua ausência e com os cacos que estão à minha volta. Cansei de procurar felicidade onde ela não existia. Apenas… cansei de ser um quadro branco em uma parede cinza. E, para ser bem sincera, faz tempo que senti algo de verdade por algo ou alguém. É como se todas as coisas boas que vivi até aqui estivessem trancadas dentro da minha mente. Sinto que está passando um filme antigo diante dos meus olhos, e ele está se...